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Escritos de quem absorve com um olhar crítico e emocionado as curtas metragens que são as experiências de todos os dias...
Um bom barómetro para ver se os alunos são bem educados é deixá-los ser ex-alunos.
Irrita-me profundamente passar por ex-alunos na rua ou mesmo dentro da escola, nos corredores, onde tantas vezes nos cruzámos e nos cumprimentámos, onde me perguntaram se havia tpc, se trazia os testes corrigidos, se lhes abria a porta da sala porque esqueceram o telemóvel ou a senha de almoço lá dentro,....e eles fingirem que nunca me viram antes. Aí sim, percebemos se tudo o que vivemos antes foi mentira, pura graxa.
Não me espanta que aqueles alunos que desde sempre percebemos que não foram com a nossa cara exibam esse comportamento. Mas irrita-me. É falta de educação. Não raras vezes, são miúdos, bem, adolescentes,- dizia-são miúdos com que estive mais de dois anos, já que onde lecciono se procura manter o mesmo professor na turma vários anos. Há cerca de um mês cruzei-me na escola com uma ex -aluna, talvez de há uns 4, 5 anos. Estivemos sentadas frente a frente e eu bem olhei para ela para a cumprimentar, saber o que era feito da miúda alegre e tontinha das minhas aulas de Inglês. Nem um olharzinho, um sorriso. Cumprimentou os directores, o funcionário e eu fiquei invisível. Nem percebi porquê, mas talvez seja melhor não perder muito tempo a pensar nisso.
Hoje fui almoçar sozinha ao café ( se é que se pode chamar a almoço a chá e torrada), em virtude da má disposição de ontem. E lá entraram elas. Duas ex -alunas que deixei de ter este ano e com quem estive três anos. Uma fez-me a festa costumeira. O engraçado foi a outra, que entretanto mudou de escola. Cumprimentou-me de longe e quase se aproximou para me dar dois beijos , tendo-se sentido incomodada, talvez pelo olhar intrometido do empregado atrás do balcão. Depois quis meter conversa- deixámos de nos ver estava eu gravidíssima em Julho. Saiu-lhe um comentário infeliz , mas que eu aproveitei para brincar. "Então , professora, já não está grávida, não é!?" "Há quem diga que ainda pareço..."-respondi.
E pronto, a conversa lá continuou e não fosse eu só ter levado o porta-moedas, tinha acabado por mostrar as fotografias do miúdo e a pôr a conversa em dia.